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Preços (3): Como o Estado transforma uma carestia em fome generalizada

Quem se detenha a examinar com atenção a história das crises de carestia e fomes que têm afligido a Europa tanto no presente século como nos dois séculos anteriores (...) chegará à conclusão (...) de que uma carestia nunca teve origem em qualquer maquinação entre os negociantes de cereais do interior nem em qualquer outra causa a não ser numa escassez real, ocasionada, por vezes, em determinados locais, pelos estragos da guerra, mas na maioria dos casos, pela adversidade do clima, nunca tendo uma fome sido causada por outra razão que não fosse a violência do governo ao tentar, por meios inadequados, remediar as inconveniências de uma carestia.

(...)

Quando o governo, no sentido de remediar as incoveniências de uma carestia, ordena que os negociantes vendam o trigo a um preço que ele supõe razoável, esta facto impede-os de o trazerem para o mercado, o que poderá por vezes causar uma fome mesmo no início da estação, ou se o trazem, dão azo a que as pessoas o consumam muito rapidamente de tal modo que vai necessariamente dar origem a uma fome antes de terminar a estação das colheitas.

Adam Smith, Inquérito sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, vol. 2, páginas 43 e 44.

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