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Preços (1): O preço como informação

Suponha que, por qualquer razão, se regista um aumento da procura de lápis de grafite - talvez devido ao facto de uma explosão demográfica aumentar o número de inscrições nas escolas. Os estabelecimentos de retalho constarão que estão a vender mais lápis. Encomendarão mais lápis aos grossistas. Os grossistas encomendarão mais lápis aos fabricantes. Os fabricantes encomendarão mais madeira, latão e grafite - os diversos produtos utilizados para fabricar um lápis. Para levar os seus fornecedores a produzirem estes artigos em maior número terão que oferecer por eles preços mais elevados. Por sua vez, os preços mais elevados induzirão os fornecedores a aumentar a sua força de trabalho com vista a dar resposta ao aumento da procura. Para contratar mais trabalhadores, terão de oferecer salários mais elevados ou melhores condições de trabalho. Desta forma, as ondas propagam-se em círculos cada vez maiores, transmitindo a pessoas de todo o mundo a informação do aumento da procura dos lápis - ou, para sermos mais precisos, de um qualquer produto que produzem, por razões que podem não conhecer e não precisam de conhecer.

O sistema de preços transmite unicamente a informação importante e apenas às pessoas que precisam de tomar conhecimento.Os produtores de madeira, por exemplo, não têm de saber se o aumento da procura de lápis resulta de uma explisão demográfica ou do facto de ter passado a ser obrigatório preencher a lápis mais de 14.000 impressos oficiais. Nem sequer precisam de saber que se regisotu um aumento da procura de lápis. Só precisam de saber que alguém está disposto a pagar mais pela madeira e que é provável que o preço mais elevado se mantenha durante o tempo suficiente para valer a pena satisfazer a procura. (...)

Tudo o que impeça os preços de exprimir livremente as condições da oferta e da procura interfere com a transmissão de informação rigorosa. Os monopólios privados (...) é [sic] um bom exemplo disto. Não impede a transmissão de informação através do sistema de preços, mas distorce-a de facto. (...)

Por mais importantes que sejam as distorções do sistema de preços com origem no setor privado, o Estado constitui nos nossos dias a fonte principal de interferência com um sistema de mercado livre (...).

Milton Friedman, Liberdade Para Escolher, páginas 36 a 39.

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