Um bem tem valor quando é uma comodidade e pode ser trocado no mercado.
O valor expressa sempre um juízo da estima em que algo é tido, porque uma coisa tem valor se, e só se, é desejada. Por exemplo, um milionário pode comprar um diamante por cem mil dólares e ver-se a si mesmo morrer de sede no deserto e incapaz de obter um só gole de água em troca do seu diamante, que nesse lugar carece de qualquer valor.
(...)
A distinção entre valor de uso e valor de troca foi primeiramente exposta por Aristóteles, foi adoptada pelos canonistas, e foi posteriormente desenvolvida pelos economistas clássicos. Valor de uso é a utilidade que uma coisa tem em si mesma. O valor de troca é o que se dará em troca dele no mercado. (...)
Contudo, esta distinção é insustentável. Se é verdade que um automóvel geralmente vale mais do que uma agulha, é possível que em um caso concreto (dependente do momento e das circunstâncias) o contrário pudesse ocorrer. Um alfaiate que está necessitado de uma agulha não pode coser com um automóvel, e, em lugares em que não há gasolina disponível, os automóveis não têm nenhum valor. Demais, quantas agulhas é vale um automóvel? (...) A utilidade de cada um desses bens varia consoante o tempo e o lugar, e, em última análise, apenas os preços cotados no mercado nos podem informar do valor de troca entre duas comodidades. Logo, não é possível estabelecer uma relação quantitativa de valores em concordância com o valor de uso do automóvel e da agulha.
(...) O valor de uso de um bem também não é constante, porque uma nova invenção ou descoberta, ou, simplesmente, uma mudança nos gostos prevalecentes, pode diminuí-lo ou eliminá-lo completamente.
Faustino Ballvé, Essentials of Economics: A Brief Survey of Principles and Policies, páginas 13 a 14.
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